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Fátima Irene Pinto
Pai
Lembrar de você é lembrar da estação, do trem,
das
viagens onde segura e confiante, eu o
acompanhava.
É lembrar dos longos passeios pelas matas,
em
busca
dos pomares de frutas silvestres,
é recordá-lo
risonho
ao lado de minha mãe,
atiçando Sultão que latia
e pulava,
como que a compartilhar
da felicidade que entre
nós reinava.
É lembrar do vidro brilhante de vaga-lumes que,
ensinada
por você, eu sabia caçar...e das corujinhas que
eu cacei
sozinha, mas que você não me deixou criar.
É lembrar das festas juninas, dos foguetórios,
do violão
que por suas mãos, eu aprendi a dedilhar...dos
dobrados
na harmônica em cujos baixos eu enroscava
e
você me fazia recomeçar.
É lembrar da primeira vez que você me levou
embora
para estudar, sem saber que seria uma viagem sem
volta,
um adeus definitivo à infância e ao aconchego do
meu lar.
Ah, Pai! Se você soubesse das agruras que me
aguardavam
e do quanto elas haveriam de nos separar, você
jamais
teria me levado e, da paz do meu lar, você
jamais teria me apartado.
Quando eu voltei, Pai, tudo estava tão mudado...e você partiu
de repente, sem que eu tivesse tempo de lhe
agradecer,
dar o derradeiro abraço que no coração ficou
enroscado.
Você partiu sem me dar a chance de confessar
o
quanto você foi por mim, amado.
Não houve jeito, não houve tempo, infelizmente.
Mas onde quer que você esteja, no mundo da luz e
da
verdade, aceite esta homenagem que brota sincera
em
meio às minhas lágrimas de saudade...e embora
com
a alma embargada pela nostalgia,
a tua bênção eu
peço agora....
COMO ANTIGAMENTE !
(Homenagem a meu pai)
Fátima Irene Pinto (Repasse com os devidos créditos)
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