O poeta é um ser diferente,
Que sozinho caminha no mundo.
Não se sabe se é um descontente,
Não se sabe se é um vagabundo.
Ardiloso, astuto e profundo,
Toma as cores de toda a gente.
É capaz de chorar, se contente,
E se triste, sorrir loucamente.
É cachorro que tem muitos donos,
Mas que morre de desnutrição.
Pois ao vê-lo, supõem que é sono,
Seu desmaio de atroz solidão.
É qual lua, adorado por todos,
Mas que nunca se entrega a ninguém.
É seu fado viver dos engodos,
E dos sonhos que só ele tem.
Se quiseres o amor de um poeta,
Sejas dele só a inspiração.
Ele foge e toma outra reta,
De um amor que lhe impõe restrição.
Mas é tanto o amor que ele sente,
Que ultrapassa o infinito e o momento.
Quando dá seu adeus para sempre,
Vira estrela lá no firmamento.
Descalvado
Agosto/2003
|